Tai Chi Chuan

 


 

 

Tai Chi Chuan - Origens

 

Como em muitas de outras origens a história muita vez confunde-se com a lenda. Deixo aqui três possíveis origens do Tai Chi Chuan Chuan que me foram transmitidas.

Em relação a mim, nem sequer vou emitir opinião sobre esta arte milenar pois no fundo elas acabam por se cruzar ... e a verdade, neste caso, é muito subjectiva e discutível ...

I

A palavra "Tai Ji" apareceu primeiro em livro Yi Jing (I Ching) sobre filosofia, da Dinastia Zhou do Este (770 - 221 a.C.). Ela indica a vitalidade do mundo antes que o céu e a terra se separarem, e todas as coisas do mundo vieram desta vitalidade. A luta (o boxe) de Tai Ji tomou emprestada a teoria: por um lado, o nome dele mostra que a luta de Tai Ji se baseia nesta vitalidade que existe em todos os lugares do mundo; por outro lado, ele indica que a luta, bem como esta vitalidade, tem variações inúmeras, mas mesmo que varie, nunca se separa de sua origem. Por causa disso, há pessoas que chamam a luta de Tai Ji um boxe de filosofia.

Na história, a luta de Tai Ji teve vários nomes. Até o século 18, o mestre de Tai Ji, Wang Zongyue fez uma explicação sistemática e profunda sobre a luta usando a teoria de Tai Ji em seu livro, aí, permanece o uso do nome "Tai Ji".

Tai Ji combina a arte marcial e Qi Gong. Sobre seu nascimento, não existe uma história clara. Mas uma coisa conhecida é que ele tornou-se popular nas dinastias Ming (1368 - 1644) e Qing (1644 - 1911).

Tai Ji combina muitos aspectos contrários: o interior e o exterior do corpo, o movimento e o silêncio, o espírito e o corpo, o Qi de dentro do corpo e a força física. Ele enfatiza o papel importante de Qi e do pensamento, e os usa para equilibrar os movimentos do corpo.


 

II   

 

 

Segundo o ponto de vista taoista a origem do Tai Chi Chuan (vulgo Tai Chi) perde-se na noite dos tempos, e a sua criação é atribuida a um personagem quase lendário, o monge taoista Chang-Sang Feng. Conta a lenda que tendo-se retirado para a montanha de Wu-Tang (morada dos deuses e dos imortais) foi interrompido nas suas profundas meditações pelo ruído produzido pela luta entre uma grou e uma serpente. A serpente retorcia-se e esquivava-se de todas as picadas do grou (ou garça), este por sua vez defendia-se levantando e abrindo as suas asas, neste transe o eremita compreendeu como "o mole vence o duro", a ágil serpente era capaz de neutralizar a força do bico do grou. Com esta lição da sábia natureza Chang Sang Feng criou os primeiros movimentos do Tai Chi Chuan.


III

 

Segundo o ponto de vista  budista ... o monge Bodhidharma (a quem é atribuída a fundação do primeiro mosteiro “Shaolin") terá entrado pelo norte da China (Tibete) vindo da Índia o qual terá trazido consigo a religião budista bem como a forma de combate conhecida por: “Vajramushti”. Também os exercícios de “Yoga” sobretudo os de respiração terão sido adoptados pelos monges que seguindo as suas ideias da “não-violência” e o cultivo de uma mente sã num corpo são ... deram origem aos primeiros praticantes de Tai Chi Chuan.

  

O que significa Tai Chi Chuan

Os ideogramas que compõe a palavra tai chi chuan significam:

Tai Chi Chuan é, por assim dizer, a “forma” de trabalhar a grande energia do universo. Há quem lhe chame de “Boxe do Grau Supremo”,   “Boxe das Sombras” ou “Punho do Grande Ultimato".

Isto significa melhorar e progredir em direcção ao ilimitado; significa a existência imensa e o grande eterno. Todas as várias direcções em que a influência do Tai Chi Chuan foi sentida, foram guiadas pela teoria dos opostos: o Yin e o Yang, o negativo e o positivo. Algumas vezes chamados de princípio original.

 


 

Acerca do Tai Chi Chuan

 

Muito se tem escrito sobre a prática de Tai Chi Chuan (ou Taiji Quan). São artigos em revistas de saúde, de desporto e até de opinião. Os livros sobre esta temática atingem já um número bastante considerável. Também a TV e a Internet tem sido meios “audiovisuais” que com o seu inegável poder tem contribuído para o conhecimento do Tai Chi Chuan enquanto prática salutar.

A experiência que tenho adquirido ao longo dos vários anos de aprendizagem, ensino e prática tem-me aberto “novos horizontes” que no início se encontravam um pouco, como direi... “nublados”.

O Tai Chi Chuan tornou-se, para mim, mais do que uma prática terapêutica, uma arte marcial ou... ambas. É também neste momento... uma atitude de estar na vida. É o transpor do Tai Chi Chuan para o meu quotidiano. Quando, por exemplo, caminho faço-o de um modo “natural” e reparando em tudo o que me rodeia. Tendo consciência que faço parte dum “Universo” que só pode ser “harmonioso” quando o aprendemos a contemplar e respeitar. O Tai Chi Chuan encoraja o preenchimento individual da pessoa e enfatiza que este objectivo deve ser atingido através de um modo de vida natural e moderado.

É com esta a noção que entendo que o “caminho” a percorrer ainda é imenso. É uma aprendizagem contínua que não termina nunca...  

Em relação à prática e para que não haja “mal-entendidos” começo por dizer que qualquer estilo de Tai Chi Chuan é bom. No mundo “ocidental” o estilo mais divulgado é, sem dúvida, o Yang. No entanto, não quero dizer... que seja este o melhor estilo. Aliás, se algum “Mestre” ou “Instrutor”, ridicularizar outro estilo em detrimento do seu então é porque não é um bom “Mestre” ou um bom ”Instrutor”...

Tive a oportunidade de contactar e praticar com “Mestres” de vários estilos. Com todos aprendi e continuo a aprender. 

Em relação ao que atrás referi deixo-vos esta pequena história para ilustrar a ideia do que é o “certo” e o “errado”... Dentro de um conceito taoista.

Você está certo”

por Derek Lin

Um dia, o sábio estava tomando chá com um discípulo quando ouviram um tumulto na rua. Dois homens discutiam sobre alguma coisa. As vozes se tornavam cada vez mais altas. Nenhum dos dois estava disposto a ceder.

Depois de muita gritaria, um deles saiu furioso. O outro ficou parado, fervendo de raiva. Depois de algum tempo, entrou para falar com o sábio:

Mestre, o senhor tem de resolver este assunto para nós. Eu tentei raciocinar com ele, mas ele não me ouvia. Ele é extremamente teimoso.”

O sábio mostrou que estava disposto a ajudar, e o homem começou a descrever seu ponto de vista. Explicou meticulosamente porque sua posição era obviamente a mais razoável e a mais correcta.

Então, o que o senhor diz, Mestre? Eu estou certo, ou é ele que está certo?”

Mas é claro que você está certo!” disse o sábio. O homem ficou radiante, e saiu de bem-humorado.

Pouco depois, o homem que saíra furioso voltou, também procurando pelo sábio.


Mestre, o senhor provavelmente me ouviu discutindo há pouco. A posição dele está baseada inteiramente numa lógica falsa, enquanto minha posição é sustentada por evidências sólidas. O senhor pode resolver este assunto para nós?”

O sábio meneou a cabeça concordando, e o homem começou a apresentar seu lado da história. Apontou cuidadosamente as falhas no pensamento de seu oponente, e e enumerou as provas suportando seu ponto de vista.

Então, o que o senhor pensa, Mestre? Quem está certo e quem está errado?”

Mas é claro que você está certo!” disse o sábio. O homem ficou radiante, e saiu de bem-humorado.

O discípulo, que permanecera quieto todo esse tempo, expressou sua perplexidade: “Mestre, como se explica? Se ele está certo, o outro está errado. Mas o senhor disse que o outro estava certo, de modo que este tem de estar errado. Uma posição é verdadeira, e seu oposto é falso. As duas não podem ser verdadeiras. Estou certo?”

Mas é claro que você está certo!” disse o sábio.

Desejar estar certo é uma das nossas maiores obsessões na vida. Parece que temos uma necessidade desesperada de provar que estamos certos, custe o que custar. Se alguém discorda, gastamos uma enorme quantidade de energia física, mental e emocional para forçá-lo a ver as coisas do nosso modo. Discutimos com ele.

Isto funciona? Em geral, não. Discussões raramente resultam em concordância. Na maior parte das vezes, apenas afasta as pessoas. Você pode ter o raciocínio mais rigoroso e os mais sólidos argumentos imagináveis, e mesmo assim fracassar em convencer a outra parte, porque no fundo as discussões não são sobre os factos. Elas são sobre a profunda necessidade humana de estar certo, apesar dos factos.

É por isto que os sábios se abstraem de discussões. Discutir exige muito esforço e traz pouco resultado. Quanto mais se força um ponto de vista sobre uma pessoa, mais ela resiste. Portanto, discussões e debates são o exacto oposto do wu wei. (1)

 

 (1) - É um princípio importante do Taoismo que tem que ver com saber quando se deve ou não agir. Wu pode ser traduzido por não ter; Wei pode ser traduzido por fazer, agir, servir como, governar. O significado literal de Wu Wei é "sem acção" e é muitas vezes incluído na expressão paradoxal wei wu wei : "acção sem acção." A prática de wu wei tem como objectivo atingir um «estado de graça» em harmonia com o Tao (o chamado «regresso precoce»).

O capítulo 81 do Tao Te Ching o expressa claramente:

Os que são bons não discutem

Os que discutem não são bons

Não é que os sábios suprimam ou neguem o  ímpeto para discutir. Eles o transcendem. Vêem a futilidade de tentar impor sua opinião sobre uma audiência não receptiva. Já que é um desperdício de energia, desviam sua atenção das discussões e ficam receptivos e abertos a outras perspectivas além das suas. Como os sábios são desapegados e observadores, têm a habilidade de se mover entre vários pontos de vista. A maior parte das pessoas só conseguem ver a verdade de sua perspectiva. Para os sábios, esta perspectiva limitada é como uma visão em túnel, ou mesmo os olhos vendados. A capacidade de percepção mais ampla dos sábios lhes permite ver que dois lados podem estar certos. De facto, reconhecem que há tantas  perspectivas válidas quanto são as pessoas no mundo, e que cada perspectiva é válida para uma pessoa em uma certa situação.

O conceito convencional do absolutamente certo e do absolutamente errado é ilusório. Pode ser reconfortante para aqueles que necessitem de uma visão simplificada em branco e preto de uma realidade complexa, que apresenta muitos tons de cinza, mas pode levar à inflexibilidade, à estreiteza mental, ao dogma ou até ao fanatismo.

Não é que os sábios não tenham opinião própria, muito pelo contrário. Os sábios não só têm opinião como tendem a ser excepcionalmente bem informados, precisamente porque são capazes de ver as coisas sob vários ângulos. Assim, longe de não distinguir o certo do errado, os sábios são rigorosos e disciplinados na manutenção de suas noções de certo e errado.

O ponto crucial é que os sábios são igualmente rigorosos e disciplinados em se abster de forçar suas próprias noções sobre os outros. Afinal, por que haveria um sábio de discutir com você se...  “é claro que você está certo”?

No Ocidente temos tendência a aprender rapidamente e bem. As “nossas” crianças são incentivadas, desde muito cedo, a competirem para serem os melhores. Quer na escola, quer no desporto... quer na vida em geral. Os “padrões” que orientam a sua vida passam a ser regulados através de uma competição algo desmedida.

Muitos alunos são conscientes e persistentes no treino o que os capacita a atingir altos níveis de resultados. Mas deve-se salientar duas tendências erradas das quais os iniciandos se devem prevenir. A primeira é  que algumas pessoas que são jovens e talentosas adquirem uma compreensão mais rápida do que a maioria e tornam-se complacentes, abandonando a prática no meio do caminho. Estas pessoas nunca terão grande sucesso. A segunda tendência errada é que alguns alunos são muito ansiosos para conseguir sucesso instantâneo. Eles querem aprender tudo em pouco tempo, desde o boxe das sombras até as formas com espada e sabre, etc. Eles conseguem apreender superficialmente um pouco de cada uma destas práticas, mas não são capazes de compreender a essência.

O Tai Chi Chuan enquanto arte marcial interna visa, essencialmente, o treino de: mente e corpo.

Originalmente o Tai Chi Chuan foi criado com propósitos de combate. Mas com o desenvolvimento das armas esta função foi diminuindo gradualmente e se colocou mais ênfase nos propósitos relativos ao desenvolvimento da saúde. Entretanto ele ainda pode ser usado em lutas e combates... é um tipo de arte marcial e as suas funções de ataque e defesa não devem ser esquecidas. Assim, na prática, os movimentos são externamente suaves mas internamente ‘vigorosos’. Se isto não for ensinado e praticado, o Tai Chi Chuan perderá sua característica e já não poderá mais ser chamado de Tai Chi Chuan, transformando-se num tipo de ginástica comum.” (Mestre Yang Zhenduo) (2)

(2) - Mestre Yang Zhenduo representa a 4ª Geração da Família Yang. Nasceu em Pequim (Beijing) em 1926, é filho de Yang Chengfu. Começou ainda muito jovem a estudar Tai Chi Chuan com seu pai. Após seu falecimento continuou estudando com seu irmão mais velho.

Em 1960 Yang Zhenduo mudou-se para Taiyuan, Província de Shanxi. Desde então, o Tai Chi Chuan estilo Yang gradualmente se disseminou por Taiyuan, para outras cidades, províncias e países.

A partir de 1980 torna-se Vice-Presidente da Associação de Wushu de Shanxi. Em 1982 funda a Associação de Tai Chi Chuan estilo Yang de Shanxi, da qual é presidente desde então. A associação já reuniu mais de 30.000 membros em toda a Província, é a maior organização de artes marciais de sua categoria na China.

Em 1996 a Academia Chinesa de Wushu reconheceu o Mestre Yang Zhenduo como um dos 100 principais Mestres de Wushu na China.

Como de inicio referi não gosto de “verdades absolutas”. Aquilo que pretendo transmitir é o fruto da minha experiência... nada mais do que isso.

No entanto como seguidor de um estilo de Tai Chi Chuan deixo alguns “conselhos”, que considero importantes, através da “boca” de um dos seus Mestres.

 

Alguns pontos importantes sobre a Escola Yang de Tai Chi Chuan

1.  Relaxamento:

É fácil compreender o significado literal da palavra “relaxamento”. Entretanto, para o Tai Chi Chuan este termo tem duas implicações: a) O relaxamento da mente que é a eliminação de todos os outros pensamentos e a concentração da mente na prática do Tai Chi Chuan. b) O relaxamento de todo o corpo e a eliminação da força rígida de dentro dele. Este segundo aspecto tem causado algumas más interpretações entre muitos alunos e é importante esclarecer este ponto. Estas pessoas compreendem que relaxamento significa não usar qualquer tipo de força e executar os movimentos com uma suavidade física. O facto de que os “Dez Pontos Essenciais do Tai Chi Chuan” enfatizem o uso da mente ao invés do uso da força, dá surgimento a uma má compreensão de que o Tai Chi Chuan deve ser executado em completa suavidade. Algumas pessoas, tem dúvidas com relação a este ponto, quando se encontram com as palavras clássicas: “agulha oculta no algodão” ou ainda “vigor oculto na suavidade”.  Onde então, o vigor realmente descansa? Algumas pessoas investigaram e tentaram provar estas questões através de experiências e descobriram que o emprego consciente de algum tipo de força, mesmo que seja apenas uma pequena quantidade, vai resultar numa sensação de rigidez, enquanto que o relaxamento produz uma sensação de suavidade. É assim natural, que o principiante se encontre num dilema...
 
 2. O que é o Real Relaxamento?

Eu gostaria de dar minha visão pessoal a este respeito. Apesar de que relaxamento signifique relaxamento consciente da mente, ele também quer dizer o relaxamento de todo o corpo. O relaxamento de todo o corpo significa o relaxamento consciente de todas as juntas e isto vai produzir o efeito orgânico de reunir e unificar todas as partes do corpo de uma forma muito mais eficiente.  Isto não quer dizer suavidade. É necessária  uma grande quantidade de prática para se compreender este princípio.   Relaxamento também significa “alongamento” dos membros o que nos proporciona uma sensação de peso. Esta sensação de peso não é uma sensação de rigidez, nem uma sensação de suavidade “solta”. É algo entre estes dois extremos. Não deve estar confinada a alguma parte específica do corpo, mas envolve o corpo como um todo. É semelhante a ferro fundido em alta temperatura. Assim, o relaxamento correcto,   “dissolve” a força rígida, da mesma forma que o fogo dissolve o ferro bruto para transforma-lo em aço.   A força rígida passa por um processo de transformação qualitativa após milhares de “exercícios de dissolução”.  Assim como o ferro pode se transformar em aço, a “força bruta” pode se transformar em “força interna” e o relaxamento é o processo através do qual esta transformação gradualmente acontece. Nossos ancestrais falavam a este respeito de uma forma muito correcta: “Relaxamento consciente vai inconscientemente, produzir força interna”.

3. Respiração

Juntamente com o relaxamento, a respiração é um dos pilares de fundamento do Tai Chi. Até o evidente e desejado equilíbrio, tanto físico quanto emocional, é, de certa forma, resultado da interacção desses dois factores.

É sobretudo a respiração que promove a interacção das energias Yin e Yang no corpo. Ela promoverá a interacção das energias do Céu (Yang) e da Terra (Yin), fazendo a união das mesmas no plano intermediário, ou seja, o ser humano. Essa União ocorre no Tan Tien (Dan Tien), centro energético abaixo do umbigo que, por sua vez, é o plano intermediário do corpo entre a cabeça (Yang) e os pés (Yin). É a respiração que não só faz a energia interna circular, mas também faz ela se armazenar no Tan Tien (centro energético abaixo do umbigo). Em condições normais, um ciclo de respiração ocorre em cerca de 7 segundos. Ora, um ciclo de respiração treinada pelo Tai Chi Chuan pode chegar a 30 segundos ou mesmo 1 minuto inteiro. Qual a vantagem? Essa respiração lenta, suave, profunda, tem o poder de distribuir melhor a energia interna pelos órgãos do corpo, e terá um efeito calmante e sedativo, especialmente sobre a pressão alta. Porém, é preciso ter consciência de que respiração lenta, suave e profunda não quer dizer "prender" a respiração para esticar o ciclo! Às vezes o principiante pode ver uma pessoa treinada respirando lentamente e pode querer imitar o ritmo dessa pessoa; não conseguindo, ela se sentirá tentada a prender o ar, seja na inspiração ou expiração, com o pulmão cheio ou vazio. Isso tem um efeito muito danoso sobre a circulação: aumenta a pressão interna e acentua a pressão elevada. Portanto, a respiração do Tai Chi deve ser lenta sim, mas absolutamente natural. Nunca force o seu ritmo. Se ele não for lento o suficiente, com o treino, certamente ele baixará cada vez mais, bem mais breve do que você espera. Suave, lento, profundo... mas natural!!!

4. A diferença entre Força Bruta e Força Interna

Força Bruta pode ser comparada a ferro bruto. Ela é inata e se distribui por todas as partes do corpo. Quando um bebé nasce, ele chora e move os seus membros com sua força natural.  

Quando dizemos que não devemos usar ‘força bruta’ no Tai Chi Chuan, estamos nos referindo a esta  ‘força natural’ (força desordenada, força rudimentar).   Devemos sim, usar a força interna ou a força Tai Chi Chuan.  Apesar de que esta força não é a força natural, é bastante difícil separá-las.  Por outras palavras, apesar de suas diferenças, não há uma clara demarcação entre elas. A força interna deriva da força natural ou bruta, que serve como sua base.   É como o ferro que se transforma em aço através do aquecimento e do tempero; mas o aço deriva do ferro bruto. Se não tivermos uma clara compreensão deste facto, vamos contrapor estas duas forças e não poderemos ter uma compreensão correcta a respeito do relacionamento destas duas forças. Consequentemente não seremos capazes de atingir o que é descrito pelos antigos como: “ocultar a agulha no algodão” ou  “vigor oculto na suavidade”.  A suavidade aqui, sugere um grau de tenacidade. Apenas quando nós adquirirmos esta compreensão poderemos  atingir o que se sintetiza nas seguintes palavras:   relaxamento dá nascimento a suavidade que por seu lado dá nascimento ao vigor, e a suavidade e o vigor, suplementam-se mutuamente

5. Como devemos compreender: “Empregar a Mente e não a Força Bruta”


Isto é fácil de ser compreendido, quando conhecemos a diferença entre a Força Bruta e a Força Interna.

Vamos então retornar ao tópico que fala da força bruta, que é inata e se distribui por todas as partes do corpo. Quando começamos a fazer exercícios todos os dias, nós devemos primeiro, ‘relaxar’  numa busca consciente da força bruta.  Então, vamos reunir força bruta, organiza-la e mantê-la sob o nosso comando antes de coloca-la em exercício. Gradualmente a força bruta dispersa se transforma numa totalidade em si mesma. É como um exército bem treinado que vai mover-se ao uníssono de acordo com as ordens de seu comandante. Desta forma, o exército pode atingir o seu objectivo.

Nossos antepassados diziam: “Aonde a mente vai, a força interna a segue”.  Seria dizer que quando um aluno atingiu um certo nível, depois de um treino persistente e é capaz de combinar força com habilidade, então a força interna irá emergir de si mesma e seguir a mente. Este é um ponto a ser reflectido, estudado, praticado até que se atinja este nível.

 


 Os Dez Pontos Importantes de Yang Cheng-Fu Comentados pelo Mestre Yang Zhenduo

Na primeira parte da forma estão contidos os 10 princípios que devem ser observados muito atentamente, desde a primeira saída de movimentos.

  1. Energia leve e sensível no topo da cabeça.

      Fique erecto e mantenha a cabeça e o pescoço naturalmente erectos com a mente concentrada no topo da cabeça. Não tencionar demais pois isto não permite que o sangue e a energia vital circulem suavemente.

  2. Afundar o peito e arredondar as costas.

      Mantenha o peito ligeiramente para dentro o que o capacita a afundar ou submergir a respiração no Tan Tien  (baixo ventre). Não deixe o peito para fora (protuberante) pois isto vai fazer com que a respiração torne-se difícil e de alguma forma o topo vai ficar pesado.   Uma grande força pode surgir desde a espinha apenas quando você mantém a energia vital no baixo-ventre.

  3. Relaxar a cintura.

      No corpo humano, a cintura é a parte dominante. Quando relaxamos a cintura, os dois pés terão força o suficiente para formar uma base sólida. Todos os movimentos dependem da acção da cintura como se diz nos clássicos: “A força vital vem desde a cintura”. Os movimentos desajeitados no Tai Chi Chuan surgem de acções erradas da cintura.

  4. Discernir cheio e vazio.

      É de importância primeira no Tai Chi Chuan distinguirmos entre “Xu”  vazio e “Shi” cheio.  Se mudamos o peso do corpo para a perna direita então a perna direita vai esta plantada solidamente no solo e a perna esquerda vai estar na forma vazia. Quando o peso está na perna esquerda, então a perna esquerda estará solidamente plantada no solo e a perna direita vai estar na forma vazia. Apenas desta forma poderemos girar e mover o corpo sem esforço e correctamente., de outra forma seremos lentos demais e desajeitados nos movimentos sem sermos capazes de permanecer estáveis e firmes em nossos pés.

  5. Afundar os ombros e cotovelos.

    1. Devemos manter os ombros na posição natural e relaxados. Se elevamos os ombros, o chi vai subir com eles e todo o corpo vai ficar sem força. Devemos também manter os cotovelos para baixo senão não seremos capazes de manter os ombros relaxados e mover nosso corpo de forma suave.

  6. Usar a mente e não a força.

    1. Entre as pessoas que praticam Tai Chi Chuan é bastante comum ouvir o comentário: “É questão de usar inteiramente a mente, não a força”. Na prática do Tai Chi Chuan, todo o corpo está relaxado e não há ideia de força bruta ou endurecida nas veias ou juntas por trás dos movimentos do corpo. As pessoas podem perguntar: - Como é possível se aumentar a potência  ou a resistência sem exercer força?  De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa no corpo humano existe um sistema de canais, os meridianos que ligam as vísceras com as diferentes partes do corpo, fazendo do corpo humano um todo integrado. Se o meridiano não estiver bloqueado, a energia vital vai circular no corpo inteiro. Mas se o meridiano for preenchido com força bruta, a energia vital não será capaz de circular e consequentemente o corpo não vai se mover facilmente ou suavemente. Deve-se assim usar a mente ao invés da força bruta, pois assim a energia vital irá seguir a consciência  e circular por todo o corpo. Através da prática persistente seremos capazes de cultivar e desenvolver uma força interna genuína. Isto é o que os “experts” em Tai Chi Chuan chamam de: “Flexível na aparência, mas poderoso na essência”. Um mestre de Tai Chi Chuan tem braços que são tão fortes como varas de aço recobertas de algodão, com imenso poder oculto. Os boxeurs da “escolas externas” ( um ramo de wushu que enfatiza o ataque, opostamente as “escolas internas” que enfatizam a defesa), parecem poderosos quando exercem força, mas quando param de exercer força, o poder já não existe mais. Assim sendo uma força meramente superficial.

  7.  Coordenar o Superior e o Inferior

      De acordo com a teoria do Tai Chi Chuan a raiz está nos pés, a força é emitida através das pernas, controlada pela cintura e expressa pelos dedos; os pés, pernas e a cintura formam um todo harmonioso. Quando as mãos e a cintura e as pernas se movem, os olhos devem seguir o seu movimento. Isto pode acontecer quando houver coordenação entre a parte superior e inferior. Se alguma parte para de mover-se, então os movimentos serão desconectados e cairão em desordem.

  8. Harmonia entre o Interno e o Externo.

       Praticando Tai Chi Chuan o foco está na mente e na consciência. Daí o dito: “a mente é o comandante e o corpo seu subserviente”. Com a tranquilidade da mente, os movimentos serão suaves e graciosos. Com relação à “forma” há apenas o “Xu” (vazio), shi (sólido), kai (aberto) e he (fechado). Kai (aberto) não significa apenas abrir os quatro membros, mas a mente também;  e he (fechado) significa fechar a mente junto com os quatro membros. A perfeição é atingida quando se unifica os dois e se harmoniza o interno e o externo num todo completo.

  9. Importância da Continuidade.

      No caso das escolas externas (que enfatizam o ataque)  a força que se exerce é rígida e os movimentos não são contínuos, mas acontecem paradas de movimentos que permitem que o oponente possa tirar vantagem. No Tai Chi Chuan se focaliza a atenção na mente e não na força e os movimentos de início ao final são contínuos e num círculo infinito, assim “como um rio que flui sem fim” ou “como tirar cera do casulo.”

  10. Tranquilidade no Movimento.

      No caso das “Escolas Externas” de boxe, a ênfase é colocada em saltar, dar pancadas, socar e exercer força, e assim frequentemente o praticante fica ofegante após a prática.

      No Tai Chi Chuan o movimento é combinado com a tranquilidade e enquanto se executa os movimentos, se mantém a tranquilidade da mente. Na prática da “forma”, quanto mais lento o movimento, melhores resultados são conseguidos. Isto acontece porque quando os movimentos são lentos, pode-se respirar profundamente e submergir a respiração no Tan Tien.  Isto produz um efeito suavizante no corpo e na mente.

       

  11. Os alunos de Tai Chi Chuan irão conseguir uma melhor compreensão de tudo isto, através de estudo cuidadoso e prática persistente.

     

     


     

    Estilos de Tai Chi Chuan

     

    No primeiro dia em que comecei a praticar Tai Chi Chuan foi-me dito que este era, independentemente do resto, uma arte marcial. Como tal também tem estilos diversos. Um pouco como no Karaté ...

     

    Aquele que aprendi ao longo destes anos é, segundo dizem, o estilo mais divulgado no “mundo ocidental”. Terá isto a ver com a sua implementação nos anos 50 pelo Governo de “Mao-Tse-Tung” e as posteriores  migrações de chineses para o resto do Mundo. ( http://www.centroculturaltao.com.br/tai/)

     

    Para o simples praticante de Tai Chi Chuan pode, no início, não fazer muito sentido debruçar-se sobre a história do mesmo. No entanto, com o tempo, vamos sentindo a necessidade de sabermos “algo mais” do que estamos a aprender e a praticar. É neste sentido que aqui vos deixo alguma informação que poderá ser complementada com o Vosso Mestre e com a muita Literatura que existe acerca do assunto.

    Assim temos ... os criadores de cada um dos 5 estilos principais por ordem cronológica de aparecimento e reconhecidos na China actual  são:

     

    Estilo Chen:
     
    • Nome do local original de nascimento: Vila Chenjagou, Condado Wen, província Hunan.
       

    • Criador: Mestre Chen Wanting
       

    • Caracteríeticas especiais: alterna movimentos lentos e rápidos, inclui saltos e explosões nos movimentos e pisadas vigorosas. A Velha Forma, foi desenvolvida a partir da 17a. Geração da Família Chen.

     

    Estilo Yang:
     
    • Nome do local original de nascimento: cidade Guangfuzhen na área de Guangpingfu; Condado de Yongnian, província de Hebei + - 200 anos atrás.
       

    • Criador: Mestre Yang Lu Chan que aprendeu com Mestre Chen Changxing 14a. geração da Família Chen.
       

    • Características especiais: movimentos suaves, lentos, velocidade homogênea, sem alteração de alturas, movimentos longos e grandes.

     

    Estilo Wu/Hao:
     
    • Nome do local original de nascimento: cidade de Guangfu, condado de Yongnian. Província Hebei.
       

    • Criador: Mestre Wu Yuxiang que aprendeu com os Mestres Yang Luchan + Yang Banhou + Chen Qingping.
       

    • Características especiais: lento, suave, com posturas pequenas e altas. Sua forma é menor

    Estilo Wu:
     

    • Nome do local original de nascimento: desconhecido.
       

    • Criador: Mestre Wu Jian Quan que aprendeu com seu pai Wu Quanyu que aprendeu com Yang BanHou
       

    • Características especiais: Eles inclinam o corpo para o lado, mas quando inclinam, pensam em estar eretos.

     

    Estilo Sun:
     

    • Nome do local original de nascimento: desconhecido.
       

    • Criador: Mestre Sun Lutang que aprendeu com o Mestre Hao Weijian.
       

    • Características especiais: seus movimentos combinam 3 estilos de artes marciais: Estilo Wu de Tai Chi Chuan + Hsing I + Ba Gua.

     

     


    O estilo que aprendi e tenho praticado é o Yang. Deixo-vos aqui um “bocadinho” da história e evolução do estilo Yang. Com isto não pretendo esgotar toda a informação que existe acerca deste estilo mas tão só “destapar uma ponta do véu” ...

     

    Na época em que Yang Lu Chan tomou contacto com o Tai Chi Chuan da família Chen a característica da arte era mais voltada para os aspectos marciais com muitas explosões de energia (fa jing) e altos e baixos na forma. Quando Yang Lu Chan saiu do seio da família Chen foi desafiado por muitos praticantes de outras artes e sua performance nas lutas eram tão excelentes que recebeu o apelido do “O Invencível Yang”!

    (Yang Lu-Chan 1799-1872)

    Foi inclusive convidado a ensinar na corte do imperador da época, tornando-se treinador da Guarda Imperial da Dinastia Qing. Percebendo que muitos tinham dificuldades em acompanhar os árduos treinos e que inclusive, os parentes do Imperador tinham a saúde muito fraca e que através dos treinos os soldados feridos se recuperavam mais rapidamente, compreendeu os benefícios que o Tai Chi Chuan trazia para a saúde e foi modificando gradualmente as formas para adapta-la às necessidades dos praticantes, tornando assim o Tai Chi Chuan mais acessível.
    Estas mudanças graduais tiveram grande influência nas próximas gerações de mestres de Tai Chi Chuan. A forma que Yang Lu Chan desenvolveu ficou conhecida como a “Velha Forma”.

    O Tai Chi Chuan da Família Yang, nasce então no condado de Yongnian na província de Hebei na China Continental, por volta do ano 1830. O nome regional para o local de nascimento era a cidade de Guangfu, Condado de Guangpin na Província de Hebei

    O primeiro filho de Yang Lu Chan faleceu cedo. O segundo filho, Yang You conhecido como Ban Hou, era um homem extremamente versado nas técnicas do Tai Chi, mas por motivo do seu carácter duro, não teve muitos discípulos. Foi grandemente respeitado por suas habilidades com lança. Foi Ban Hou que desenvolveu a chamada “Forma Curta”, que mais tarde foi aprimorada por seu sobrinho Yang Shao Hou, que apesar de filho de Jian Hou, tinha grande afinidade com a forma mais feroz de Bao Hou. Esta “Forma Curta”, tinha características bastante marciais, voltada especialmente para o combate, muito dura de ser aprendida e aplicada exigia de seus praticantes tenacidade e valor, inclusive para suportar os árduos treinos propostos pelo seu criador. Yang Bao Hou lutou diversas vezes para defender sua família participando de combates com outros artistas marciais e devido a suas muitas vitórias o estilo Yang ficou bem conhecido na China toda.

    O terceiro filho de Yang Lu Chan de nome Yang Jian Hou, tinha um carácter mais amoroso e teve muitos discípulos. Era versado em diversas técnicas excelentes como sabre, espada, lança e outras armas. Yang Jian Hou baseando-se na “Forma Velha” de seu pai, desenvolveu a “Forma Média” do Tai Chi Chuan. Ele era versado em diversas armas como sabre, espada, lança e outras. Suas habilidades com espada eram bem conhecidas, pois sabia usar como ninguém os princípios da suavidade e da força. Jian Hou inclusive usava pequenas bolas e era tão habilidoso em seu uso que segurava três ou quatro em uma das mãos e quando as atirava de uma vez só, atingia vários pássaros em voo. Conta a história que Yang Jian Hou sonhou com a própria morte e desta feita, preparou-se, despediu-se de toda a família e permaneceu sorrindo até o seu último suspiro.

    Yang Jian Hou teve três filhos: Zhao Xiong, (mais tarde conhecido como Shao Hou) Zhao Yuan (que faleceu cedo) e Zhao Qing (Cheng Fu). O primeiro filho Zhao Xiong, ficou conhecido como o Mister Big, por suas habilidades especiais em defender os fracos e teve muita afinidade com as técnicas de seu tio Bao Hou. Shao Hou adorava fazer as pessoas voarem com sua técnica. No início ele aprendeu a “Forma Média” de seu pai, mas depois mudou de caminho, e desenvolveu uma forma mais alta, com pequenos movimentos feitos algumas vezes devagar e outras bem rápido. Sua técnica de Fa Jing (emissão de energia) era dura e acompanhada de sons. O espírito de seus olhos era vibrante olhando em todas as direcções e combinado com uma expressão zombeteira, um riso sinistro e os sons “Heng!” e “Há!” de forma que sua presença tornava-se assustadora. Shao Hou ensinou seus alunos a golpear rapidamente logo depois de entrar em contacto com o oponente, usando expressões do completo espectro de emoções.

    Yang Zhou Qing, o terceiro filho de Jian Hou, ganhou o apelido de Yang Cheng Fu e desde cedo praticou arduamente todas as técnicas da família Yang. Por seu carácter aberto e amoroso, teve muitos discípulos e foi chamado a oferecer instruções por toda a China. Durante seus anos de estudos, aprofundou a “Forma Média” de seu pai e, realizando mudanças estruturais para que a forma pudesse ser aprendida por qualquer pessoa; desenvolveu a “Forma Longa”, de Tai Chi Chuan, com suas características actuais, com movimentos suaves e fluidos, executados numa velocidade constante. Combina suavidade e dureza, leveza e peso. Todas estas características são utilizadas hoje como padrões para o Estilo Yang de Tai Chi Chuan servindo de modelo para aqueles que querem seguir estudando e praticando esta arte. Esta forma pode ser praticada com flexão de pernas baixo, médio ou alto de acordo com as possibilidades e habilidades de cada praticante e ainda guarda todas as técnicas de aplicações marciais que podem ser vistas na medida em que é praticada, além de ser uma forma que fortalece completamente o corpo de seus praticantes, estimulando ossos, músculos, tendões, ligamentos e promovendo uma massagem em todos os órgãos internos. Yang Chengfu era um homem grande, mas com uma disposição suave e bondosa, simples e honesto, muito sincero com as pessoas. No mundo das artes marciais sua moral era elevada e de grande prestígio. Tinha habilidades com o Tue Shou (Empurrar as Mãos) excelentes. Na hora de liberar e dissipar energia não tinha iguais em sua época. Seus braços por fora, pareciam de algodão, mas por dentro feitos de aço. Seus movimentos podiam ser bem pequenos e ainda lideravam o oponente até que abruptamente liberava a energia. Aqueles que sentiam sua energia, não podiam nem dizer que ele havia se movido, mas já estavam no ar e caindo, devido ao golpe diminuto e poderoso. Desta forma os estudantes adoravam suas habilidades e praticar com ele. Viajou por toda a China e teve milhares de discípulos. Em 1925 ele ditou para seu discípulo Chen Wei Ming, o Livro da Arte do Tai chi Chuan (Taijiquan Shu). Em 1934 ditou o livro: Princípios Completos e Aplicações do Tai chi Chuan ( Taijiquan Tiyong Quan Shu).

    Yang Cheng Fu teve quatro filhos: Zheng Ming; Zhen Ji; Zhen Duo e Zhen Guo.
    Os nomes dos membros da família que fazem parte actualmente da linhagem da Família Yang são:

    Yang Luchan – 1a. Geração – Velha Forma
    Yang Jianhou – 2ª. Geração – Forma Média
    Yang Cheng Fu – 3a. Geração – Forma Longa
    Yang Zhenduo – 4a. Geração –
    Yang Jun – 6ª. Geração

    Foi Yang Chengfu que através de seus estudos e práticas nos deixou os 10 Princípios Importantes do Tai Chi chuan que actualmente têm sido utilizados por praticantes de todos os estilos da arte, como uma guia para o desenvolvimento constante de suas técnicas. Na medida em que os anos passam todos os praticantes sinceros percebem que estes Dez Pontos Importantes vão se tornando claros e que se não fizerem parte de nossa prática diária, não conseguimos evoluir e não bebemos dos grandes benefícios que esta arte maravilhosa nos brinda:

    São eles:

    1. Energia leve e sensível no topo da cabeça
    2. Afundar o peito e arredondar as costas.
    3. Relaxar a cintura.
    4. Distinguir o insubstancial e o substancial (vazio e cheio)
    5. Afundar os ombros e abaixar os cotovelos.
    6. Usar a mente (intenção) e não a força.
    7. Acima e abaixo devem seguir um ao outro.
    8. Interno e Externo são unidos.
    9. Continuidade sem qualquer interrupção.
    10. Procurar a tranquilidade nos movimentos.

    Chen Changxing e Yang Lu Chan

    Chen Changxing, 14ª geração, foi o primeiro mestre Chen a transmitir o taijiquan a discípulos fora do clã. Seu aluno Yang Lu Chan, viria se tornar o fundador do estilo Yang.

     

    PS – Apesar disso ... dentro do “Yang Tai Chi” existem várias “formas” e execuções diferentes. Dizer que um é melhor que o outro seria pretensioso da minha parte. Limito-me a constatar o que aprendi e li de vários “Mestres”.

     

    Aqui vos deixo um texto em inglês que “retrata” um pouco o que acabei de referir:

     

    Traditional Yang Style Form Differences

    When one looks at the many applications of Yang Style Form,
    they will see many differences from one school to the next.
    This brings up the question of why Yang Styles are different from each other

    Yang Styles are different from each other because people do not agree to see and do things the same way. This is natural and democratic. Some proponents of Tai Chi will tell you that their style is more traditional because it adheres to certain ideal principles or visual reference points. Even if true, I am not inclined to advise a student to use tradition as the sole measure of a style's validity. Following the map of one's ancestors is crucial to the development of form, but that journey will be endlessly enriching if it is married to a sense of responsibility for the intent that form carries. More plainly, at an advanced level you have to be able to explain why you are doing what you do when you are doing it. Otherwise, you are performing a rote dance with little personal understanding or responsibility for the end result. Styles evolve because traditions alone are rarely enough to answer the needs of a practice that is to be sustained over a lifetime. When tradition guides, inspires and reflects one's achievements, it has great value. When it is used to command or demand without reasonable explanation or instruction, it countermands a human need for growth and evolution. For a student of Tai Chi, a strong path would be to learn a form that is rich in heritage, with many signs along the way to indicate direction but not destination. This encourages you to walk the road yourself and make some real life decisions in your work.

    One friend of mine feels he is beginning to go his own way now, after 25 years of study and practise under the influence and guidance of his teacher's example. I am still fuelled with the desire to work harder when I see the distance between my work and my teacher's accomplishment. Ironically, if I did not have such a rich tradition I would not so richly appreciate my own deficiencies.

    Which one is the best?

    the style or tradition that helps you the most.

    Did you know?

    The differences within a Style can be more informative to one's understanding of one's own work than the similarities. As I said before, eventually we all have to answer for our own practice and it's practical validity beyond the traditional roots we hail from. In his oral teachings Master Lee referred to the 'Tai Chi Classics', where the spine is described as 'plumb erect'. This principle alone is understood and practiced very differently from one School to the next.

     


    One Principle Interpreted Differently Among Yang Styles

    Discussion of Plumb Erect and degrees of Extension

    LeeShiu Pak's form, like Chen Man-ching's, works with a completely plumb erect spine in all phases of movement. Mr. Lee accomplishes this through having a fully extended slightly flexed back leg in his forward stances, where as Chen Man-ching's form has less extension and more flexion in the back leg in the forward stance. Both Mr. Lee's and Cheng Man-ching's forms do not have the forward leaning of the spine, which often aligns with the diagonal of the back leg, prevalent in some Yang Family traditions, such as in the form of Yang family traditionalist Yang Zhen-do and grandson Yang Jun, who has been a more recent presence on the North American Tai Chi scene. The plumb erect spine allows one to adapt and displace with ease. The forward rooting spine definitely connects a student to their bubbling well point and increases their leverage, although it reduces their mobility. Each training method has its strengths.

    I prefer plumb erect because both rottenness and mobility are possible, although I have spent time moving within a forward loaded disposition and it greatly informed my understanding of rottenness. Also the plumb erect spine resonates with all the other plumb lines of the body, such as the elbows and Crown Point. There is a meditation and mind-body connection present in the plumb erect approach, which is notably different from forward loading. To have all plumb lines resonant through the vertical plane gives the practitioner an experience of unity and diversity, simultaneously. I believe this is critical to what Yang Cheng-fu referred to as, "It is mutually joined and unbroken", in his Ten Important Points. When one forward loads the weight, the unity is there, but the strongest vertical resonance, the spine, does not harmonize with the elbows for instance and something is lost at the level of diversity and responsiveness.

    Fonte: http://www.risingsunschool.com/Why do T'ai Chi Styles Differ.htm

    Tui Shou ou Push-Hands

    Tui Shou (Mãos Coladas) ou empurrar com as mãos: é um exercício comum em estilos internos, principalmente no Tai Chi Chuan e I-Chuan (Yiquan) onde em movimentos colados se vai empurrando os braços do oponente.

    Tui shou é um exercício praticado entre duas pessoas, que pode ser traduzido como "mãos que empurram". Esta é uma das principais técnicas do aprendizado marcial do Tai Chi. É com isso que se inicia o treino marcial.  O objectivo deste treino é desenvolver a capacidade de colar e ceder, que só é conseguido através da ampliação da sensibilidade. Mesmo quem pratica Tai Chi sem intuito marcial, deve desenvolver esta técnica, porque toda a pratica do Tai Chi desenvolve a parte física e mental, e neste ponto, o tui shou nos dá a capacidade de ceder, tanto física quanto mental.

    A pessoa que cede ao estar sob aplicação de uma força, pode fazer uso desta contra quem aplicou (a máxima das artes marciais - usar a força do adversário contra ele mesmo). Para realmente se conseguir desenvolver a técnica do tui shou, alguns itens devem ser observados :

    Corpo Relaxado

    Ao se relaxar o corpo, consegue-se liberar o chi, e efectuar os movimentos correctamente, e continuamente.

     

    Aparar

    É provocar o contacto com a outra pessoa. Uma vez que tenha sido feito o contacto com o movimento do adversário, deve-se fazer o próximo passo, que é o colar.

    Colar

    Colar nada mais é do que permanecer junto, em contacto.

    Através deste toque, a sensibilidade é activada para perceber a intensidade e direcção do movimento do adversário.

    Para isto, o treino inicial do tui shou deve ser feito em baixa velocidade, caso contrário a sensibilidade não fica aguçada.

    Mais tarde, com o desenvolvimento correcto de todos os itens, é que o praticante poderá treinar em velocidade maiores, podendo inclusive iniciar o san shou (técnica livre de mãos).  

    Desviar

    Todo o movimento deve ser iniciado pelo quadril.

    Sob acção de uma força, utiliza-se um movimento de quadril, que conduz o resto do corpo a fazer um movimento circular, causando assim o desvio da acção externa sem sofres impactos ou desgastes.

    Para este item funcionar verdadeiramente, deve-se usar a energia de desvio que é desenvolvida por chi, e conseguida através de chi kung. Sem este chi, todos os outros quesitos do tui shou não serão completos.

    Ceder

    Este é o ponto básico dentro do tui shou. Ceder é estar vazio perante ao toque do adversário.

    Quando o adversário tenta lhe alcançar e não consegue um ponto de apoio (uma resistência), ficará desequilibrado, bastando um pequeno toque para que vá ao chão.

    Na natureza tudo que é duro e rígido se quebra, e o que é macio e flexível, se adapta.

    Basta lembrar que durante uma tempestade, a árvore que faz resistência se parte ou é derrubada.

    A que se flexiona (cede) ao vento, permanece em pé.

    Unindo-se as técnicas de aparar, colar, desviar e ceder, juntamente com o chi para desvio, o adversário jamais o alcançará e não saberá qual será o seu próximo passo, se sentindo sempre inferior.

    No avanço, terá a sensação de nunca alcançá-lo.

    No recuo, sentirá que dispõe de um espaço extremamente curto, e que nunca fugirá ao seu alcance.

    (Ginásio do GDCTINCM ao Bairro Alto - Lisboa)

     


    Chi Kung

    Nota prévia

     Tai Chi Chuan sem Chi Kung não é Tai Chi Chuan, pois nesse caso o Tai Chi  Chuan se resumiria a um tipo de exercício suave que talvez oferecesse alguns benefícios em termos de circulação do sangue e divertimento, mas provavelmente não traria a vitalidade e a clareza mental geralmente atribuídas ao treino do Tai Chi Chuan.” – Mestre Wong Kiew Kit (1)

     

     

    No sentido literal da palavra chinesa, se é que haja uma tradução exacta para tal, quer dizer “Cultura da Energia”(2)

    O Chi Kung é, por assim dizer, uma ginástica “virada” para a saúde e a longevidade. Assenta sobre os princípios da Medicina Tradicional Chinesa e a sua prática regula as funções cerebrais e dos órgãos do corpo mediante a concentração, aumentando as capacidades de concentração e memória, regulando o sistema nervoso central e restantes sistemas orgânicos, circulatórios, metabólicos e digestivos, bem como ajuda no combate aos problemas de stress, insónia, depressões, etc.

    O ser humano é um organismo complexo, em que o ciclo vital actua ininterruptamente. Um grande número de órgãos internos trabalha por toda a existência do ser e mantém permanente interacção com o meio ambiente. Podemos exemplificar este pensamento através do processo da respiração, do processo de absorção dos alimentos pelo corpo e pelo processo da circulação sanguínea. Todos estes processos funcionam pelo mecanismo da troca.

    Todos os movimentos do corpo humano se baseiam neste princípio vital chamado pelos chineses de CHI. Quando o corpo humano cultiva este processo vital, torna-se capaz de se revitalizar e aperfeiçoar cada vez mais sua vida.

    A função do treino de Chi Kung é de aumentar a expansão da circulação do sangue, ajudando no processo de revitalização, atingindo um equilibro interno que torna possível inclusive a desobstrução de vasos sanguíneos. Melhora assim as funções respiratórias e digestivas, podendo prolongar a vida, com o cultivo de uma boa saúde. 

    Este princípio do Chi Kung é de fácil entendimento quando comparamos o corpo humano com as máquinas. Uma máquina precisa de manutenção constante a fim de prolongar sua vida útil. Da mesma forma, a pessoa que treina o Chi Kung renova constantemente sua energia e sua capacidade para melhorar o seu nível de vida, mantendo a juventude e a boa saúde.

     

    Nota:

    Exercício de coordenação movimento “versus” respiração.

    (1)- O Livro Completo do Tai Chi Chuan – Wong Kiew Kit - Editorial Pensamento

    (2)- A Caminho do Auto aperfeiçoamento – Mestre Rui Carreteiro - Edição do Autor

     

    Zhan Zhuang (Ritsu Zen em japonês)

     

    Estar Em Pé Como Uma Árvore, ou meditação em pé.

     

    Durante anos muitas vezes treinei esta posição sem me dar conta de que havia uma “tradução” do japonês para a mesma. Transcrevo aqui um trecho do trabalho do Luís Silva (Kyubudo - Uma Perspectiva Pessoal) que dá conta da sua importância a nível de Chi Kung:

    “A meditação estática é a mais comum e importante forma de praticar Chi Kung e integra todos os elementos de postura, relaxamento, respiração e meditação.  É um modo de desenvolver alinhamento e equilibro, pernas mais fortes e cintura, respiração mais profunda, consciência de corpo precisa, e uma mente tranquila. O paradigma da árvore ajuda à visualização do enraizamento dos pés no solo, do peso da cintura para baixo e tronco forte. Os braços serão como ramos da árvore.”

     

     

     

    A Medicina Oriental baseia-se na filosofia do Equilíbrio dos Corpos através da harmonização da Energia Vital, chamada de KI, CHI, PRANA.

    No nosso corpo, essa Energia circula através de canais subcutâneos, chamados de: "Meridianos". Alguns meridianos conduzem a energia Yang o outros a energia Yin.

      

    (Meridiano do Coração) 

    Quando existem “bloqueios” dos meridianos então o corpo reage. Para nós ocidentais ... estamos doentes.

    O que se pretende com os exercícios de Chi Kung é evitar ... é prevenir que surjam esses bloqueios.

    Na China quando uma pessoa está doente perguntam-lhe: - Porque é que não está de Saúde? E isto porque se estivesse de saúde não estaria doente.”(2)

       

    Um exemplo que encontrei e que “ilustra bem” o que acabei de vos descrever:

     

     Chi Kung no tratamento clínico(*) – (http://www.esmtc.pt)

     

    Normalmente as pessoas que elegem a Medicina Chinesa como forma de tratamento fazem-no depois de uma busca que as leva através de várias terapias. Uma das maiores diferenças nos tratamentos da Medicina Tradicional Chinesa é que esta toma o corpo e a mente como um só. Este conceito causa habitualmente surpresa no paciente, compreender por exemplo que uma emoção pode manifestar-se como uma dor de nas costas, é algo que escapa à compreensão da maior parte das pessoas. A ideia que um exercício de meditação de Chi Kung ou um método de respiração pode ter influência no resultado final do tratamento é também algo desconhecido para muitos.
    Aliviar os sintomas mais nefastos e de maior preocupação para o paciente ajuda a ganhar a sua confiança no tratamento. Por exemplo, para que uma pessoa que sofre de insónia, se ao fim de umas sessões de acupunctura conseguir dormir um pouco melhor é um grande alívio para ela. Mas para um terapeuta de medicina chinesa o verdadeiro êxito é quando o paciente apresenta uma melhoria e o problema não volta a aparecer novamente. Para isso é preciso ir à raiz do problema e criar novas condições que impeçam o regresso da doença.

    Para este efeito, na antiguidade existiam diversas formas de tratamento que eram prescritas pelos médicos de Medicina Tradicional Chinesa, especialidades como a nutrição, a fitoterapia, o Feng Shui, a acupunctura, o Chi Kung e a massagem eram conhecidas e aplicadas com grande êxito nos tratamentos sempre tendo em consideração que a melhora dos pacientes devia passar pelo bem estar físico, orgânico e espiritual - Jing, Qi e Shen.

    Quando trabalhamos num clínica geralmente observamos que os pacientes querem saber porque estão doentes e que possibilidade têm de se curarem, bem assim como funciona o tratamento. Quando um paciente mostra este interesse é um bom indício e é possível estabelecer desde o começo uma relação de trabalho conjunto com ele. Considerando este factores é preciso que o terapeuta conduza o paciente de forma a este participar no tratamento.

    Neste aspecto uma das formas mais efectivas de terapia é o Chi Kung. Utilizado pele Medicina Tradicional Chinesa (MTC) há milhares de anos, tem-se desenvolvido e é usado hoje na China em hospitais e nas mais conceituadas universidades de MTC que contam com departamentos de investigação de Chi Kung.

    Na minha experiência clínica tenho usado o Chi Kung com os meus pacientes nos últimos dois anos com resultados bastante satisfatórios. Geralmente as pessoas que frequentam as minhas consultas fazem-no devido a doenças que se podem enquadrar, segundo a teoria dos três tesouros, como doenças do esprito. Este fenómeno ocorre devido a um esgotamento da energia do espírito e à sua falta de nutrição. Como podemos reactivar a energia do espírito e nutrir a sua essência?
    Lembro-me que o meu mestre de Chi Kung Chen Yong Fa sempre dizia aos seus doentes "eu vou fazer por ti 50% e tu tens de fazer os outros 50%", para mim isto sempre me deu a ideia de que o paciente deveria participar activamente nos tratamentos e o que tenho estado a fazer é ensinar-lhes exercícios de Chi Kung, explicando-lhes os efeitos que estes exercícios têm no processo de cura.
    A minha experiência é que a energia que o paciente gera na prática é acima de tudo alimento para o espírito, principalmente na nossa cultura onde as pessoas passam mais tempo preocupadas em actividades que as alienam de elas mesmas e logo também do seu espírito. O tempo que cada um passa a praticar os exercícios de Chi Kung transforma-se num tempo de comunicação consigo mesmo, e para o paciente é uma forma de tomar responsabilidade por sua melhoria.

    No início ensina-se o paciente um ou dois exercícios simples que podem ser praticados sem dificuldade. Conseguindo-se que um aluno se mantenha assíduo às aulas para praticar de forma a estabelecer uma rotina diária de prática, ao longo do tempo, os benefícios serão evidentes e o paciente compreenderá que se pratica se sente melhor e por ele mesmo criará hábitos diários de prática.
    Digo-lhes sempre - "Se te alimentas e te lavas deves também nutrir o teu espírito e limpares a tua mente".

    _______________________________________________________
    * Luis Pedreros estudou pela primeira vez Chi Kung na Autrália em 1982, passando depois pelo estudo de diversos sistemas de Chi Kung. Neste momento ensina Luohan Chi Kung, o qual já pratica há mais de 15 anos sobre a orientação do grande mestre Chen Yong Fa, que lhe conferiu o nível de grande mestre. Presentemente, vive no Chile e ensina Chi Kung e Tai Chi. Tem a seu cargo uma clínica de Medicina Tradicional Chinesa onde utiliza o Chi Kung no tratamento dos seus pacientes. A sua carreira de ensino tem-no levado a países como Finlândia, Polónia, Holanda, Espanha, Portugal, Argentina, México, Chile, Canadá, Nova Zelândia e Austrália. Não dispensando, no entanto, de 1 a 2 horas de prática de Chi Kung diário, considera-se ele mesmo como ainda sendo um estudante de Chi Kung.

    Em resumo ...

     

    Chi  é uma palavra chinesa usada para descrever "a energia natural do Universo."

    Chi-Kung (Qi Gong) é a "ciência e pratica" do Chi, que pode ser pensada como um campo de energia movendo-se pelo corpo. A saúde física e mental pode ser alegadamente melhorada aprendendo a manipular o Chi através da respiração, movimento e actos da vontade. Até afirmam que podemos fortalecer o sistema  imunitário controlando o Chi.

    O Chi Kung é uma técnica milenar Chinesa de treino interior, objectivando o equilíbrio do indivíduo como um todo: físico, mental e espiritual. 

    "Chi" significa energia em todas as manifestações. "Kung" significa treino ou capacidade adquirida com o treino.

    No entanto, para se obter os benefícios na integra, são necessários treinos regulares, disciplina e aplicação prática da filosofia do dia a dia. A maioria dos praticantes de Chi Kung em pouco tempo passa a sentir seus efeitos: maior capacidade de concentração, memória, auto controle, sabedoria, saúde. etc. A técnica é destinada a todos que procuram a saúde e o equilíbrio segundo o Tao e pode ser praticado por pessoas de qualquer faixa etária.

    O Chi Kung beneficia o metabolismo e previne a maioria das chamadas doenças da meia-idade, tais como o endurecimento das artérias e juntas. O movimento constante e fluído estimula todo o sistema circulatório, o metabolismo, o sistema nervoso, pois o relaxamento na movimentação, a meditação e concentração nos movimentos desviam o corpo e a mente dos pensamentos e preocupações que normalmente nos acompanham na vida diária. O corpo humano é como a água: se não corre e flúi se torna estagnada e vira uma poça suja para os insectos.

    O Chi Kung, se praticado por um tempo regular, beneficia especialmente o sistema nervoso central, pois na sua prática se aprende a controlar sua mente no sistema de expulsar os pensamentos negativos e projectar imagens positivas (concentração e contemplação) que trarão paz e tranquilidade a todo o ser, revigorando e estimulando o cérebro e desenvolvendo a capacidade de concentração. O praticante do Chi Kung aprende a absorver a energia da natureza de forma consciente e a direccionar o fluxo energético obtido através das posturas, exercícios de respiração específico, movimento e meditação.


     

    Características especificas na prática do Tai Chi Taoísta

     

    Ainda que existam diferenças específicas na execução dos movimentos da forma que distinguem o Tai Chi Taoista de outros estilos de Tai Chi, as principais diferenças vão muito mais além que o mero aspecto visual.

    O culminar da prática do Tai Chi Taoista não se encontra na perfeição das formas externas ou nas habilidades de autodefesa, mas sim na recuperação da saúde perdida, no sentido holístico do termo saúde. Mais do que aquelas formas que seguem um critério predeterminado, a forma perfeita é aquela que maximiza os benefícios fisiológicos da pessoa que a pratica.

    O único critério para medir a qualidade da prática do Tai Chi Taoista é aquela em que o movimento possa ser benéfico para a saúde.


    Este enfoque é muito diferente do tradicional e típico enfoque laico do Tai Chi, em que as formas se analisam e se valorizam segundo a sua efectividade como artes de autodefesa. Também difere da moderna prática de Tai Chi , que se realiza como um desporto competitivo em que as formas são julgadas e recompensadas com medalhas segundo a sua aparência externa.


    Como consequência do exemplo do Mestre Moy, cada aspecto da prática do Tai Chi Taoista, incluindo os movimentos, no método de treino, o enfoque consiste em "domar o coração" e a relação entre instrutores e estudantes, reflecte esta diferencia básica. Em concreto, em todas as classes se ensina com a intenção de ajudar os estudantes a melhorar a sua saúde, e não simplesmente para proporcionar-lhes uma oportunidade recreativa.

     

    DIFERENÇAS NOS MOVIMENTOS DO TAI CHI TAOISTA

    Os movimentos, que em principio derivam do estilo Yang de Tai Chi Chuan, foram deliberadamente transformados com a intenção de maximizar os benefícios que levam à saúde, de forma tal que por vezes contradiz os propósitos e estratégias do treino para a autodefesa.

    O único critério para medir a qualidade aceite pelo Mestre Moy era se os movimentos melhoravam, ou não, a saúde. Este continua a ser o ponto de referência na sua prática.

     

    DIFERENÇAS NOS PROCESSOS DE TREINO


    No Tai Chi Taoista há um reconhecimento das forças e debilidades próprias de cada indivíduo. O processo de treino é adaptado a cada indivíduo e à sua característica morfológica e isso pode levar, às vezes, a grandes diferenças na forma externa.
    O Mestre Moy alertava os estudantes a que compreendessem este método utilizando conceitos de fisiologia ocidental, mais do que a tornarem-se simplesmente em “experts” de uma série de movimentos, porque através desta compreensão os estudantes poderão ajudar-se melhor a si mesmos, e com o tempo, igualmente aos outros.


    O progresso mede-se, portanto, pelo estado funcional do estudante, onde se incluem parâmetros como coordenação, força, equilíbrio, flexibilidade, respiração, qualidade na digestão, equilíbrio mental e emocional, sensação geral de “bem-estar”, etc.


    A estética da forma no processo de treino não se considera um critério significativo. A autodefesa não faz parte do treino. Entendemos que em diversos estilos de Tai Chi Chuan os movimentos são eventualmente estudados e praticados um a um como aplicações distintas de autodefesa. Às vezes utiliza-se o treino aos pares para aperfeiçoar essas habilidades de autodefesa.


    No Tai Chi Taoista, os movimentos estudam-se e praticam-se um a um para melhorar a sua execução com a intenção de obter um maior beneficio para a saúde. Os movimentos da forma não se estudam como aplicações de autodefesa.

     


    Tao Do

     

    Tao Do – O que é ?

     É uma “disciplina oriental”, criada pelo Mestre Rui Carreteiro, que reúne em perfeita harmonia exercícios de origem Chinesa, japonesa, indiana e ginástica de “cariz” mais ocidental.

    Essa harmonização é a base do conhecimentos que o Mestre Carreteiro adquiriu, ao longo da sua vida de praticante de várias artes marciais, e que sintetizou com o nome de Tao Do.

    Tem na sua génese a “construção” de uma filosofia de treino intimamente ligada à vida. Mas a uma vida com qualidade. A sua “matiz” de base oriental confere-lhe um espírito concordante com a natureza na sua máxima expressão.

    Como diz o grande filósofo Lao-Tse:

     Ver o que é bom e não fazê-lo é uma falta de virtude”

     

     

     

    Mas melhor do que eu será dar a palavra ao Mestre e transcrever as ideias bases do seu significado:

    TAO DO significa literalmente caminho, via. As palavras Tao e Do identificam a mesma palavra, mas escrita em idiomas diferentes, respectivamente chinês e japonês. Esta representação bilingue deve-se ao facto de se tratar de uma arte oriental que reúne artes japonesas, chinesas (e também indianas).

    Constitui objectivo fundamental do Tao Do contribuir para o auto-conhecimento e desenvolvimento global e pessoal dos seus praticantes. A meta almejada fundamenta-se da procura do verdadeiro caminho (Tao ou Dao, para os chineses, Do para os japoneses) que norteia a vida.

    As disciplinas constituintes do Tao Do podem ainda classificar-se quando à sua origem (japonesas, chinesas e indianas) e quanto à sua forma (estilo interno ou externo).

    O Tao Do é pois, antes de mais, uma arte oriental ecléctica que reúne conhecimentos de Da Cheng Chuan/ Yi Chuan, Tai Chi Chuan, Método de Hida (francês), Chi Kung, Tao Do, Yoga e Ginástica de Relaxação.

    Fonte: http://taodo.rc-grupo.com/taodo.htm

    Bases Históricas  do Tao Do

     

    Todos nós pretendemos atingir na nossa vida uma sensação de bem-estar permanente. E aqui, quando eu me refiro ao bem-estar, estou a referir-me sobretudo às partes ... física e psicológica.

    Muitos dos seres humanos “sentem-se bem” quando à sua volta reina um “clima” de paz e harmonia.

    Essa paz e harmonia resulta, sem dúvida alguma, de um organismo são. Como na máxima de Juvenal:

     

     

    Mens sana in corpore sano” 

    que resume toda a sabedoria da educação dos Romanos e explica os cuidados que consagravam ao corpo. Era através  dos exercícios físicos e dos remédios caseiros que eles procuravam manter o vigor e a saúde, só recorrendo aos médicos quando algum mal persistia. 

    Na antiga Grécia a origem dos Jogos Olímpicos é frequentemente associada à celebração do desporto e do culto à beleza estética humana.

    Pierre de Coubertin ao retomar os Jogos Olímpicos ... tinha em mente uma forma de celebrar a paz entre as nações. Ou seja uma procura de harmonia entre os homens através da prática de desporto.

     

    Na Índia O Ioga teve origem na Índia há mais de 5000 anos. Esta arte milenar comporta uma diversidade técnica que proporciona um bem acrescido para a saúde, atraindo cada vez mais adeptos para a sua prática. Quando se pratica Ioga está-se a adoptar um estilo de vida saudável. A tradução literal da palavra Yoga:

    O termo Yoga, "união" tem origem no sânscrito, tendo evoluído para uma modernização lexical que resultou Ioga. Na filosofia Hindu, o Yoga era conotado com qualquer prática que conduzisse à intuição mística e ao conhecimento supra-conceptual. Numa acepção mais alargada da actividade estão implícitos os conceitos de força, poder e energia numa relação de educação do Homem com a sua mais íntima natureza.

     

    Trata-se de um método especial de ginástica, com origem oriental, constituindo actividade nuclear exercícios respiratórios.

    Ainda no Oriente envoltas em mistério, e, na sua essência, verdadeiramente desconhecidas para quase todos, as artes marciais da Ásia Oriental que se disseminaram um pouco por todo o mundo, são ainda com frequência vistas apenas como um mero desporto ou como uma actividade violenta, praticada sobretudo por marginais ou pessoas com personalidades conflituosas. Nada de mais errado. A sua essência “nasce” da necessidade do homem preservar a sua saúde e com isso prolongar a sua vida com regra, qualidade e respeito por tudo o que o rodeia.

    Entre as que se direccionam mais na “via terapêutica” há que destacar o Tai Chi Chuan, o Da Cheng Chuan/Yi Chuan, os exercícios de Chi Kung e o Método Hida.

     

     

    No Ocidente, aproveitando o saber milenar de tantas práticas e perante um mundo cada vez mais conflituoso e “stressante”, o homem teve necessidade de criar uma ginástica direccionada à criação desse bem-estar. A ginástica de relaxação ... de descontracção.

     

     

    Intimamente ligados aos exercícios existe toda uma filosofia subjacente. Aproveitando os conhecimentos transmitidos pelo Taoismo, Confucionismo, filosofia Zen cada vez mais, a cultura Ocidental,  recolhe das suas fontes … exemplos para uma conduta de vida mais sã e em harmonia com a natureza. Dentro do mesmo espírito estão os conhecimentos transmitidos e aplicados através da Medicina Tradicional Chinesa. Não raro hoje em dia vermos artigos escritos, mesmo por médicos da chamada “Medicina Convencional”, reconhecerem os potenciais de todo um saber e conhecimentos milenares e as suas aplicações para a cura de variadas doenças.

    O Tao Do pretende, através da sua prática, ajudar a melhorar o funcionamento do organismo (nas suas vertentes físicas e psicológicas) aproveitando esses mesmos conhecimentos que nos foram sendo transmitidos ao longo de vários séculos.

     


    Arte Marcial

     

    Uma arte marcial é um conjunto de técnicas, filosofias e tradições de combate. Cada arte marcial é herdeira de uma determinada tradição e constitui um todo coerente em que as técnicas são devidamente enquadradas por conceitos filosóficos e por rituais tradicionais. Em cada especialidade ou luta, temos a graduação em níveis de acordo com a evolução do praticante tanto no campo prático (técnicas) como também no filosófico. Quase sempre por meio de "faixa" ou "cordões" com cores variadas, podemos ter a referência do estágio do discípulo/aluno.


    Nascimento das Artes Marciais

    Aquilo a que nós apelidamos de “nascimento”, em termos de artes marciais, perde-se nas brumas do tempo. Como os dados escritos não abundam, restam-nos as “verdades” que foram sendo transmitidas de geração em geração e os monumentos que resistiram a guerras ou cataclismos naturais.

    A história das artes marciais está repleta de lendas e mistérios. Os registos escritos de séculos anteriores ao século XVII são praticamente inexistentes. Contudo, há achados arqueológicos que indicam ter as artes marciais mais de 2200 anos. Apesar da falta de documentos, uma coisa é certa: a sua origem encontra-se nos movimentos dos animais e nas leis da natureza.

    A personalidade observadora do oriental inspirou-se na luta dos animais pela sua sobrevivência e adaptou os seus movimentos e reacções ao ser humano.

    Surgiram assim as artes marciais nas suas formas primitivas que, recebendo a preciosa contribuição dos monges guerreiros, assim chamados por praticarem tais artes, constituíram a sua base na filosofia e na religião. Na antiga China, apesar de já existirem algumas formas de boxe chinês, o Templo de Shaolin do Norte foi o maior centro de ensino de artes marciais do país.

    Porém, por ser um templo, os seus integrantes eram todos monges e, como tais, praticavam a meditação, a caligrafia, a pintura e, em último plano, as artes marciais, que tinham como objectivo melhorar a saúde do corpo fortificando-o para que pudesse dar moradia a um espírito de paz. Destacou-se dentre estes monges Bodhidharma, considerado o PAI das artes marciais. Bodhidharma era um monge hindu que, no século VI, caminhou da Índia até à China; onde, no templo de Shaolin, transmitiu os seus ensinamentos. Ele pregava a união do corpo com o espírito, acreditando que para lograr tal união era necessário disciplinar a mente e o corpo com exercícios físicos aliados à respiração.

    Mais tarde, o templo foi incendiado obrigando os seus discípulos a dispersarem-se por todo o país. Eles preservaram o ensinamento do mestre levando os seus conhecimentos a diversos lugares, porém adaptando-o ás necessidades da região onde viviam. Estas adaptações deram origem aos diferentes estilos de Wushu(Kung Fu) que hoje conhecemos. Alguns destes estilos são: Tigre Negro, Macaco, Louva-Deus, Dragão, Pa Kua Chang e Wing Chun. A partir de então, as artes marciais tomaram maiores proporções conquistando adeptos em todos os segmentos sociais. Com isso, o oriental incorporou a sua prática na vida diária, surgindo novas artes como o Kendo, Judo, Karate Do, Sumo e Aikido de origem japonesas, e o Tai Chi Chuan, o Kung Fu e o Kempo de origem chinesa, surgindo mais tarde outras artes marciais de origem asiática. Poderíamos igualmente referir outras “artes de combate” que existiram no Ocidente quer seja na Antiga  Grécia,  em Roma, quer inclusivamente em Portugal (caso do “Jogo do Pau”) mas a sua expressão mais antiga encontra-se, sem dúvida, no Oriente longínquo ...

    António Serra (Novembro/2005)

    Artes Marciais

    Artes marciais chinesas

     

    Artes Marciais Japonesas/Thai/Koreanas

     

    Artes Marciais Ocidentais

     


    Artes Marciais em Portugal

     A União Portuguesa de Budo, a mais antiga associação de Artes Marciais em Portugal, foi fundada pelo Mestre António Hilmar Schalck Corrêa Pereira, que reuniu à sua volta um grupo de pessoas que comungavam dos mesmos objectivos: o estudo das artes de combate japonesas, em que a técnica e a prática se fundem de modo indissociável ao desenvolvimento espiritual, moral e social do praticante.


    Mestre António Corrêa Pereira

    Antes dele, outros procuraram dar a conhecer essas artes em Portugal Dois japoneses, Hirano e Raku, mestres de Ju-Jutsu, fizeram demonstrações públicas. Um português, Armando Gonçalves, instrutor da PSP do Porto, escreveu alguns livros sobre o assunto. Mas nunca tinha existido antes, por vários motivos, uma organização dedicada exclusivamente ao culto do Budo. Foi graças à força de vontade e férrea determinação do Mestre Corrêa Pereira que se fundou a associação à qual se devem a introdução no nosso país do Ju-Jutsu, Judo, Karate-do e Aikido.

    Iniciado na prática do Ju-Jutsu em Berlim, na década de trinta, quando estudava engenharia química na Universidade de Charlottenburg, regressa a Portugal com o objectivo de aprofundar ao máximo os seus conhecimentos e de aqui expandir o seu ensino. Funda então a Academia de Judo, cujo Dojo funcionará na Rua de S. Paulo até à abertura, em 1958, do Dojo de Entrecampos, que passa a chamar-se "Academia de Budo". 

                       

    Dojo da Academia de Budo, em Entrecampos   Demonstração de Judo na Academia de  Budo

     por António Corrêa Pereira e Sebastião Durão

     

    A orientação do ensino da Academia pode ser caracterizada pela procura da realidade marcial e da evolução espiritual, demarcando-se da realidade desportiva. Algumas datas e factos ajudarão a compreender como foi difícil, por vezes, distinguir ambos os campos:
    Em 1948, por despacho ministerial, o Judo foi excluído dos exercícios classificados como desporto. Em 57, novo despacho considera o Judo modalidade desportiva. Em 59, a sua prática foi considerada de utilidade militar, por despacho de S. Ex.ª o Ministro da Defesa Nacional. No mesmo ano, um despacho admite a distinção entre Judo marcial e Judo desportivo, ficando este subordinado ao Ministério da Educação Nacional e aquele ao Ministério da Defesa Nacional. Em 1960, por despacho de S. Ex.ª o Ministro do Interior, é aprovado o estatuto da União Portuguesa de Budo que, subordinada ao Ministério da Defesa Nacional, fica sendo a entidade dirigente do Budo e, portanto, do Judo marcial em Portugal. Dois anos depois, por sua vez, a Federação Portuguesa de Judo vê aprovados os seus estatutos, ficando subordinada ao Ministério da Defesa Nacional, passando a ser a entidade dirigente do Judo desportivo em Portugal.

     O Mestre Corrêa Pereira, pela sua concepção marcial do ensino, abriu o caminho para a prática dos outros ramos do Budo. Em 1959, o Mestre Kiyoshi Mizuno visita o nosso país, a convite da Federação Portuguesa de Judo, sendo portador de uma missiva de Risei Kano para o M. Corrêa Pereira. Na ocasião, faz uma demonstração de Judo, Karate-do e Aikido no dojo da Rua de S. Paulo. Estas duas Artes, então em embrião no Ju-Jutsu, são então apresentadas em Portugal pela primeira vez. É no entanto em 63 que tem lugar a primeira aula de Karate-do, arte introduzida pelo Dr. Pires Martins, após estágios efectuados em França. Devido ao facto de Pires Martins ter contactado com Mestres de Shotokan e Shito-Ryu, a orientação técnica desse período foi nesse sentido. Até 68, esta Arte esteve centralizada na UBU, em Portugal.


    Primeira aula de Karate-do em Portugal, Academia de Budo, 1963

     

    A iniciativa de introduzir o Aikido na Academia coube ao Dr. João Luís Franco Pires Martins. O seu grande interesse por esta Arte leva-o a propor a Daniel Laurent, praticante de Karate da Academia, graduado em 2ºKyu de Aikido, a criação de uma classe, no ano de 1965. Embora não se considerando à altura de cumprir eficazmente esta missão, aceita, pedindo no entanto para serem estabelecidos contactos com o seu professor, o Mestre Georges Stobbaerts, com vista à sua deslocação a Portugal. É então confiada a este Mestre a direcção técnica desta Arte na UBU. Tempo depois, Stobbaerts funda a sua própria associação, mantendo, no entanto, relações pedagógicas e pessoais com a Academia. Entretanto, vem a Portugal um aluno do grande Mestre Hirokazu Kobayashi, Doshu (então Misao) Honda. Entre 71 e 72 lecciona na Academia, regressando depois ao Japão. Em 71, e com a sua presença, a UBU organiza o primeiro estágio de Aikido dirigido por Kobayashi. Com a partida de Honda para o Japão, em 72, a direcção técnica da classe de Aikido da Academia é confiada ao então estudante de Educação Física e praticante de todas as Artes, Leopoldo Ferreira. O Mestre Honda volta a Portugal por diversos períodos, já não como professor da Academia, mantendo, porém, vínculos pessoais e pedagógicos com esta. Em 74 e 75 Kobayashi desloca-se de novo a Portugal para orientar mais estágios de aperfeiçoamento técnico. Alguns dos praticantes mais graduados deslocam-se, a partir de então, a França e Espanha, para participarem em estágios dirigidos por este e outros mestres, como Flocquet, Nocquet, Tissier, e mais tarde Tamura e Tomita. É, no entanto, a influência de Kobayashi a decisiva para o Aikido praticado na UBU, que se rege, como nas outras Artes, pelos princípios de respeito pela realidade marcial, correcção técnica e busca do aperfeiçoamento físico e espiritual.

    (Mestre Hirokazu Kobayashi)

     

    Aparecimento do Tai Chi em Portugal

    Após o falecimento de Mestre Corrêa Pereira e a demolição do dojo de Entrecampos, a UBU passou por um período de crise, ficando limitada a dojos onde leccionam professores seus. A mesma orientação do seu Fundador é defendida pelos seus dirigentes, sócios e professores, tendo a prática sido alargada ao Tai-Chi, sobretudo em relação aos praticantes de Karate, e ao Yoga. No entanto só começa com um número, mais expressivo, de praticantes já nos anos 90 do século XX.


    Mestres

    A  escola de Kung Fu do Sifu Cláudio Fung começou em 1976, tendo a sua génese do outro lado do Atlântico, no Brasil - Rio de Janeiro, onde pela primeira vez leccionou esta arte marcial. Começou a aprender Kung Fu com seu pai seis anos antes e em Macau entre 1972 e 1975 aprofundou os seus conhecimentos.
    Foi no Brasil onde pela primeira vez o Sifu Cláudio Fung começou a participar em diversas competições onde se inseriam as diversas escolas de Kung Fu do Brasil: campeonatos juvenis brasileiros, seniores brasileiros, e pan-americanos. Durante estes anos o Sifu Cláudio Fung obteve 46 títulos de campeão nas diversas competições.

    (Mestre Claudio Fung)

    A sua vinda para Portugal, veio marcar a fundação da chamada escola de Shaolin Kung Fu da SFRAA (Sociedade Filarmónica Recreio Artístico da Amadora), em 1983. O estilo praticado pela escola, baseia-se principalmente em movimentos captados do tigre e do grou branco (cegonha branca), mas movimentos baseados em outros animais como a águia, a cobra e o louva-a-deus, assim como movimentos imitando um bêbado podem ser encontrados no estilo praticado. A parte do estilo do grou branco, em muito se assemelha ao estilo Wing Chun praticado por Bruce Lee, actor que deu grande realce às artes marciais chinesas através dos filmes que realizou. A grande característica do estilo é o desenvolvimento igual do corpo, assim em todas as formas se podem ver movimentos idênticos executados para a esquerda e para a direita ou então movimentos que utilizam ambas as pernas ou ambos os braços, como pontapés duplos ou socos duplos, mesmo os movimentos no solo são realizados de modo que o stress sobre as pernas seja repartido por ambas, e não por uma só como acontece em alguns estilos.

    Em relação à fundação da escola de Tai Chi, ela aconteceu alguns anos mais tarde, quando o Sifu Cláudio Fung começou a leccionar Tai Chi Chuan na Amadora. Esta escola teve o seu grande impulso anos mais tarde, em 1992, quando se convidou um Mestre originário da Formosa (Rep. China) a vir a Portugal aprofundar os conhecimentos de Tai Chi Chuan e de Chang Chuan (o Kung Fu do Norte da China). Entre Outubro de 1992 e Agosto de 1996 foram organizados 6 estágios com este mestre. Infelizmente esta relação teve um fim em 1996. Mas, estes quatro anos marcaram em muito o desenvolvimento desta modalidade em Portugal, não só pelos conhecimentos novos então adquiridos, mas principalmente pela capacidade do Sifu Cláudio Fung em ensinar e saber adaptar os conhecimentos aprendidos nas diferentes modalidades ao Tai Chi Chuan, em termos fisioterapêuticos, marciais, etc. O Sifu Cláudio Fung nunca viu as artes marciais como algo imóvel e estático, mas sim algo dinâmico e em progresso.

    Mestre Xuan Wu

    O Mestre Xuan Wu (Wu Xuan na denominação chinesa) nasceu em Wenzhou, na província de Zheijian, China, em 1948.

    Iniciou o treino de Kung Fu tradicional aos 5 anos de idade, numa escola pública da República Popular da China. Com a idade de 15 anos prestou homenagem ao Mestre Zhuang Wen Jun, sendo aceite como seu discípulo. Este seria o seu único Grande Mestre.

    Zhuan Wen Jun (1885-1981) nasceu em Wenzhou, mas viveu grande parte da sua vida em Singapura, para onde se mudou na década de 30. Foi responsável técnico na famosa Escola Chin Wu, formando mais tarde a Associação de Artes Marciais Qi Lu, que ainda hoje existe em Singapura.

    Após mais de 30 anos nesta cidade, o Mestre Zhuan Wen Jun regressou à sua cidade natal, impulsionando aí o ensino das Artes Marciais Chinesas, nomeadamente os sistemas de Shaolin, e as artes internas, ensinado muitos alunos.

    É com o Mestre Zhuan Wen Jun que Xuan Wu aprendeu as artes internas, como o Tai Chi, Xing Yi e Ba Gua, e também artes marciais externas, nomeadamente os sistemas de Shaolin.

    É ainda sob a égide do Grande Mestre Zhuan Wen Jun, que Xuan Wu começou a ensinar, com a idade de 20 anos.

    Após a morte do Grande Mestre Zhuang, o Mestre Xuan Wu aprofundou os seus conhecimento com Ai Xin Jue Luo Fu Jie, irmão do último imperador da China, nas técnicas taoístas de longevidade.

    Aprendeu também budismo com o antigo guarda-costas de Jiang Jie Shi, um monge budista com quem estudava e conversava.

    A partir da década de 80, o governo Chinês iniciou uma nova abertura às escolas tradicionais de Kung Fu, e o Mestre Xuan Wu criou a Escola ShangWu JingWu (bom coração, bom kung fu), em Wenzhou, no ano de 1986.

    Em 1991 o Mestre Xuan Wu deixou a China, ficando a sua escola entregue aos alunos e companheiros de kung fu. Partiu em direção à Europa, passando por Itália e França.

    Chegou a Portugal em 1992 e começou a ensinar Tai Chi nos Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1993 ensinou também Chi Kung e Tai Chi na Espiral, em Lisboa.

    Em 1996 iniciou o ensino de Chi Kung e Tai Chi, no Pavilhão Carlos Lopes, inserido num programa da Câmara Municipal de Lisboa (durante 4 anos) e também as aulas de Kung Fu no Instituto Superior Técnico.

    Em 1995 fundou a Associação Portuguesa de Kung Fu Xuan Wu e em 2010 decidiu criar a Associação Caminho Natural, exclusivamente direcionada para a saúde e para o desenvolvimento dos praticantes de artes internas e de Chi Kung, bem como de outras actividades com o objectivo do desenvolvimento holístico do indivíduo e de ligação corpo-mente.

    Actualmente o Mestre possui a nacionalidade portuguesa e reside em Lisboa, onde ensina regularmente, continuando as aulas de Tai Chi nos Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. Realiza também seminários em vários locais do país. Ensina Chi Kung e Tai Chi, e cria as suas próprias formas que integram movimentos de Tai Chi tradicional, Ba Gua e Xing Yi (as três artes marciais internas chinesas). O Mestre procura também transmitir aos seus alunos ensinamentos sobre Taoismo e Budismo, bem como os princípios e valores da sua vida.    Retirado de: http://caminho-natural.org/

     Mestre Rui Carreteiro

    (Sensei Kenji Tokitsu e Mestre Rui Carreteiro)

    “- Foi sensivelmente por esta altura que conheci uma outra referência sem dúvida marcante para a minha prática. A convite da direcção da ETK e de Luíz Cunha, Kenji Tokitsu vem pela primeira vez a Portugal dirigir um estágio.”

    A nossa forma de praticar karate já era diferente da mais conhecida na altura – Shotokan: Os movimentos eram mais suaves e descontraídos, privilegiando-se a respiração. A partir deste momento adoptamos o método deste investigador, uma arte marcial então denominada Jisei Budo, que acompanhei entusiasticamente durante longos anos.

    Com ele conheci artes como o Tai Chi Chuan, o Chi Kung (ginástica energética), o Kenjutsu (sabre japonês), o Da Cheng Chuan e o Método de Hida.”

    Em Junho 1999 foi graduado em 1º Kyu de Jisei Budô pela Escola Tradicional de Karatedo, representante do método do Sensei Kenji Tokitsu em Portugal.

    Em Novembro do mesmo ano (1999), fundou o Instituto Tao Budo – Artes Marciais e Desportos Orientais, uma instituição sem fins lucrativos centrada na prática, ensino, promoção e divulgação de artes marciais e desportos orientais. Designação esta alterada, em 2003, para:

    Instituto Nacional Tao Budo – Federação Portuguesa Artes Marciais e Desportos Orientais.

    Mestre Moy Lin-Shin - Associação Portuguesa Tai Chi Taoista

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    Moy Lin-shin (Mei Lianxian) (nasceu em 1931 no condado de Taishan, Guangdong – faleceuo em 6 junho de 1998, Toronto, Canadá). Com uma saúde débil, na sua infância, foi admitido num mosteiro. Lá foi treinado no ensino mais adiantado do Wu-chi (Céu da juventude). Um sector da Escola de Taoismo Hua Shan (Monte Hua, conhecido no chinês como Huashan, é uma das "cinco montanhas sagradas da China." A montanha Hua fica situada na província de Shaanxi. A Montanha Hua era historicamente um local de existência de diversos mosteiros Taoistas, e ficou conhecida como um centro para pratica de artes marciais chinesas tradicionais.)

    Aí recuperou a sua saúde. Moy relatou que estudou o lado religioso e filosófico do Taoismo, tendo igualmente adquirido o conhecimento e as habilidades em artes marciais chinesas.

     

    Antes das regras impostas pelo governo comunista Moy mudou-se para Hong.kong em 1948 ou em 1949. Lá inscreveu-se no Yuen Yuen Institute(a), no distrito wan de Tsuen nos territórios novos, onde continuou a sua instrução e, mais tarde, propôs-se a ser ordenado como monge taoista.

     

    O Instituto de Yuen Yuen foi estabelecido em 1950 por monges em Guangzhou, na província de Guangdong. O Instituto Yuen Yuen dedica-se ao estudo do Taoismo, Budismo e Confucionismo. Em 1968, Moy Lin-Shin juntamente com os Mestres Taoistas Mui Ming-To e Tang Yuen Mei, fundaram o templo para o Instituto Taoista Fung Loy Kok  nos terrenos do Instituto Yuen Yuen.

     

    Além dos seus estudos e instrução em Taoism Moy Lin-shin disse que tinha aprendido uma série  de artes marciais internas que incluiam o Ba Fa de Lok Hup, Chi de Tai, Hsing I Ch'uan, Bagua e Taoist Qigong.

     

    Um de professores principais de Moy em Hong.kong era Leung Jee-Peng (Liang Tzu-Peng, ou Pang) do Chi de Leung (1900-1974), um instrutor de Ba Fa de Lok Hup e outras artes, que era por sua vez um estudante de Ba Fa de Wu Yi Hui. Lok Hup é considerado uma combinação de Tai Chi de três formas, do Hsing I, e do Bagua . Moy estudou na Academia de Artes Marciais de Ching Wu em Shanghai. Moy treinou também em Hong.kong com Sun Dit, um estudante do companheiro de Liang Tzu-Peng, onde desenvolveram o Hsing I e o “push-hands”.
    Em 1970, depois de ter saído de Hong Kong, estabeleceu-se no Canadá onde começou a ensinar num pequeno de estúdio na baixa de Toronto.
    Modificou a forma “ortodoxa” do Yang Tai Chi, integrando-a através dos seus conhecimentos de outras artes internas, no que apelidou de Tai Chi Taoista.
    Moy enfatizou a natureza não-competitiva no seu estilo de ensinar a forma.
    O Tai Chi Taoista é ensinado principalmente por voluntários. A um professor de Tai Chi Taoista é pedido para conformar-se a viver o que Moy chama, de "oito virtudes do céu": Sentido de Vergonha, de Honra, de Sacrifício, de Propriedade, de Verdade, de Dedicação, de Harmonia e de Piedade filial. Como tal, um professor deve, assim ser, um exemplo para os seus alunos.
    Em 1981, Moy Lin-Shin com Mui Ming-To, fundam o “Fung Loy Kok Instituto Taoista”.
    A fim de promover a compreensão dos fundamentos taoistas do Tai Chi ajudou a fundar a Toronto Tai Chi Association. Com o crescimento ocorrido em várias outras cidades do Canadá tornou-se na: “Associação de Tai Chi Taoista do Canadá”.
    Mais tarde expande-se para os Estados Unidos, Europa, Nova Zelândia e Austrália e é assim que em 1990 é criada a:
    Associação Internacional de Tai Chi Taoista.
    O Mestre Moy fundou três organizações internacionais: A Associação de Tai Chi Taoísta, O Instituto Fung Loy Kok de Taoismo e a Academia Gei Pang Lok Hup. Estas organizações têm por objectivo ajudar os outros através do estudo do Taoismo e do ensino das artes e filosofias taoistas.

    Cultivai as Virtudes e continuai a praticar o bem. Ajudai as pessoas enquanto forem vivas, reconfortai-as antes e depois da sua morte
    e cumpri os seus desejos.


    Maître Moy Lin-Shin
    le 24 mai 1998


    Taoismo/Confucionismo/Zen

    Terão Lao Tsé e Confúcio alguma vez se encontrado ? Historicamente tal nunca foi provado. Neste caso subsiste a lenda:

     

    “Um fundo montanhoso. Encravado entre dois estreitos vales surge, longínquo, um templo. Do lado esquerdo, um homem, ainda novo, segura na mão um bastão e, na outra, um ganso. Do lado direito, um touro de cornos curvos transporta um homem velho, muito velho. Atrás do touro, um jovem acólita o ancião. Entre os dois homens o espaço é grande. Estão parados. O mais novo aguarda que o touro se aproxime para oferecer o ganso ao homem idoso. Irão falar. Um é Confúcio. O mais velho, Lao Tse.

    Ao despedir-se de Lao Tse, Confúcio agradeceu os seus ensinamentos. Lao ter-lhe-á dito:

    - Os homens que citas estão mortos e os seus ossos converteram-se em pó, só nos restam as suas palavras. Por outro lado, quando o homem superior vê a sua oportunidade eleva-se, mas quando o tempo lhe é contrário é arrastado pelo peso das circunstâncias. Põe de lado o teu orgulho e os teus desejos, os teus costumes, a tua vontade impetuosa. Não te convêm. É isto o que tenho para te dizer.

    E Confúcio comentou para os que tinham ido com ele:

    - Sei como voam os pássaros, como nadam os peixes, como correm os animais. Mas o que corre pode ser caçado, o que nada pode ser pescado, o que voa pode ser atingido por uma seta. Todavia, existe também o dragão. Não sei explicar como ele cavalga o vento, nem as nuvens, nem como se eleva no céu. Hoje conheci Lao Tse. Ele é o Dragão.”

     

    É esta cena, com algumas variantes, que perdura gravada em pedras funerárias e nos templos da China. Terá isto ocorrido ? 

    Terá ocorrido o encontro entre estes dois sábios tutelares do pensamento? Terá Confúcio, ainda no princípio da sua aprendizagem, ido em busca de Lao Tsé para que este lhe transmitisse os seus ensinamentos?

    Nada o prova, a não ser o que narram as lendas seculares. Nem tão pouco se sabe se foram realmente contemporâneos. Da biografia de Confúcio faz parte esta reunião, sem nenhuma prova documental. Da biografia de Lao Tsé nada consta.

    Os ensinamentos de Confúcio conjugam-se muito bem com os de Lao-Tsé. Enquanto a abordagem de Lao-Tsé era de índole mística, Confúcio abordou mais as questões de ética e a filosofia social.

    Enquanto o confucionismo seria mais aproximado de uma doutrina ética, política e pragmática, visando à melhor convivência em sociedade e ao modo de como se comportar em público em relação à transcendência (mas sem se ocupar de questões especificamente religiosas), o taoísmo apresenta-se como uma abordagem mística, que busca o contacto entre o homem e o o meio natural e transcendente ao que o cerca. É um caminho que busca dosar as duas vertentes do pensamento humano: o conhecimento intelectual e o intuitivo, razão e emoção.

     


    O significado do Tao

     

     O vocábulo Tao tem um sentido muito próprio que é « Caminho, via », mas ele significa também « dizer », donde deriva o sentido de « doutrina ».O Tao « evoca antes de tudo a imagem de um caminho que se há a seguir e a ideia de direcção de conduta, de regra moral », mas também « a arte de pôr em comunicação o Céu e a Terra, as forças sagradas e os homens».

    Para o pensamento filosófico e religioso comum, Tao é o princípio de ordem em todos os domínios correspondentes ao real, fala-se do Tao Celeste e do Tao da Terra como também do Tao do Homem. Entre o Tao Celeste e o Tao da Terra existe uma oposição mais ou menos como o yang e o yin. O yang sugere a ideia de exposição ao sol e de calor, por seu lado o yin evoca a ideia de frio e encoberto, é aplicado ao que é interior. O Tao do Homem exerce a função de intermediário entre o Céu e a Terra.

    Sendo assim, o Tao poderá ser considerado como a totalidade primordial, viva e criadora, mas sem nome e sem forma.

     

    As fontes clássicas do taoismo são o Tao-te-king e o Lao-Tsé. A lenda situa o nascimento de Lao-Tsé entre 571 e 604 a.C. No entanto, em relação ao nascimento do Tao–te-king « Clássico do caminho da virtude », as opiniões já são mais divergentes, há autores que preferem a versão tradicional, mas, existem outros que centram o seu nascimento numa data de composição bastante recente, 240 a.C.

    O Tao-te-king proclama a supremacia do nada sobre o ser, do vazio sobre o cheio, isto não deve ser entendido como uma negação de vida, uma vez que os objectivos mais recentes do Taoismo é a obtenção da imortalidade. O ser humano é a imagem do universo, animado por um sopro primordial dividido da seguinte forma: Em yin e yang, masculino e feminino, e Terra e Céu. Estas são as manifestações que estão por trás de um sopro que se encontra escondido.

    « Lao-Tsé cultivava o Tao e o Te, segundo uma doutrina, o homem deve procurar viver escondido no anonimato ». O viver distante da via pública e desprezar honrarias seria precisamente o contrário do homem proposto por Confúcio. No que diz respeito à existência « escondida e anónima » de Lao-Tsé explica a falta de qualquer informação em relação à sua respectiva biografia.

    Conforme diz a tradição, ele foi durante algum tempo arquivista da corte dos Tcheu, encontrava-se em grande desânimo em relação à casa real , por esse motivo fez renúncia ao cargo e partiu para Oeste. Quando estava prestes a atravessar o passo Hien -Ku, redigiu, a pedido do Guarda, « uma obra de duas partes, na qual expunha as suas ideias sobre o Tao e o Te e que continha mais de 5500 palavras, depois partiu e ninguém sabe o que foi feito dele ».

    O livro que continha mais de 5 mil palavras era o famoso Tao-te-king, o texto mais profundo e o mais enigmático de toda a literatura chinesa, mas não sabemos quem foi o seu autor nem a data que foi escrito, as opiniões são contraditórias. O Tao-te-king exprime um pensamento coerente e também original, contém uma quantidade de conceitos dirigidos aos soberanos e aos chefes políticos e militares.

    Lao-Tsé afirma que os negócios do Estado só podem ser administrados com sucesso se o príncipe seguir o caminho do Tao, ou seja, se praticar o método wu- wei, o « não fazer » ou o « não obrar ». Porque « Tao permanece sempre inactivo e não existe nada que ele faça ». É por esse motivo que o Taoista jamais intervém no curso das coisas.


     

    Confucionismo

    Confúcio apresentava-se não como criador, mas como transmissor dos ensinamentos dos sábios chineses. Mestre de moral, particularmente de moral política, baseou-se nos textos tradicionais que estudou, comentou e revalorizou.

    A mensagem de Confúcio se concentra nos Cinco clássicos ou Wu jing (jing ou ching significa "o que serve de regra ou cânon"). O Shu jing (Shu ching), Livro da história, reúne fatos e decisões do tempo dos reis sábios e permite identificar a autoridade daquilo que Confúcio chamava de Mandato Celeste, com a imitação dos soberanos justos. O Shi jing (Shih ching), Livro dos poemas, reúne 305 hinos profanos e religiosos, que Confúcio comentava de um ponto de vista ético, sem entrar nos temas sensuais nem na beleza poética dos textos. O Yi jing (I ching), Livro das mutações, inclui os diagramas empregados na adivinhação. O Li ji (Li chi), Livro da etiqueta, contém os ritos ou cerimônias. Por último, o Chunqiu (Chun-chiu), As primaveras e os outonos, narra a história do estado de Lu, onde Confúcio nasceu, de 722 a 481 a.C. 

    A esses cinco textos acrescentaram-se outros, também considerados clássicos. O básico é o Lun yu (Lun yu), conhecido no Ocidente como Analectos, que reúne aforismos e diálogos de Confúcio anotados por seus discípulos; o Da xue (Ta shueh) ou O grande ensinamento, o Zhong yong (Chung-yung) ou Doutrina do meio e o Xiao jing (Hsiao ching) versam, respectivamente, sobre a sabedoria, a harmonia e a piedade filial. O Mêncio (Mengzi ou Meng-tzu), com os ensinamentos desse pensador, foi mais tarde incorporado ao cânon, assim como outros textos menores que chegaram a constituir um total de 13 clássicos.

    Confúcio pregou o cultivo das virtudes e o dever de aspirar à perfeição. Àquele que conseguia a virtude perfeita, chamava de "homem perfeito" ou "cavalheiro". Essa qualidade humana superior consistia na sinceridade, na moderação, na justiça, na fidelidade à natureza, na lealdade. Era, em suma, o ZEN, que ao contrário do que pretendia a aristocracia feudal, não vinha do berço mas se conquistava mediante permanente auto-controle e disciplina.
    A sociedade ideal seria aquela em que se cumprissem algumas relações entre as pessoas: honradez entre governantes e súbditos, amor entre pais e filhos, separação de funções entre marido e mulher, compreensão entre anciãos e jovens e fidelidade entre amigos. Com relação ao governo, Confúcio insistia em que o governante deveria esforçar-se para que o povo vivesse em paz e prosperidade. Se não conseguisse isso, deveria ser substituído ainda que fosse pelo uso da força. O bom governante, além de ser modelo de moralidade, devia fomentar a educação, conseguir uma sociedade justa e entregar os cargos de responsabilidade às pessoas mais capazes, sem levar em conta sua origem social. Essa norma influenciou mais tarde a implantação do sistema de exames para todos os que pretendessem desempenhar funções públicas, o que deu origem ao mandarinato.      O desejo de harmonia social levou Confúcio a procurar caminhos intermediários, sem extremismos ideológicos, com respeito aos ritos religiosos, as tradições e as boas maneiras sociais: "Mais virtudes que conhecimento: és um rústico. Mais conhecimento que virtudes: és um pedante. Conhecimento e virtudes na mesma proporção, este é o homem de qualidade."   

    Confúcio não propôs credo ou ritos. Em relação a Deus e ao mundo sobrenatural, mostrou-se agnóstico: não os negava, e até respeitava as tradições e se apoiava nelas, mas considerava que esses temas escapam às possibilidades do conhecimento humano: "Se nem sequer compreendeis a vida, como poderíeis entender a morte?" ou "Se não podemos servir ao homem, como poderemos servir aos espíritos?". A moral de Confúcio se baseava no homem e nas necessidades da sociedade. Ao referir-se ao céu ou ao Mandato Celeste, pareceu frequentemente identificá-lo com a natureza. Entre as tradições que considerava importantes, o culto aos antepassados tinha lugar privilegiado: "Servir aos mortos como se estivessem connosco é a mais elevada expressão de piedade filial." Na arquitectura chinesa, durante muito tempo, as casas reservaram um lugar central para o altar dos antepassados.

        

     Templo da época de Confúcio) 

     


    Filosofia Zen

     

    Zen é a forma de Budismo mais conhecida e praticada no Japão. Mais do que uma religião ou seita, o Zen é uma filosofia vivencial que ainda hoje influência muito o povo japonês.

    A filosofia do Zen consiste na procura da iluminação através do auto conhecimento; uma busca que ultrapassa os obstáculos mentais criados por nós mesmos a fim de encontrar a verdade em seu estado puro. Trata-se de uma percepção extra-sensorial das coisas, um ensinamento especial que não envolve palavras; apenas chama a atenção para a verdadeira essência do homem. O Zen é também a prática do o auto-controle, da disciplina e da simplicidade no viver.
    As raízes do Zen estão na China, onde foi trazido da Índia por Bodhidharma no século VI. É uma variação do Budismo tradicional tibetano. A diferença básica entre os dois, é que a filosofia do Zen tenta reduzir ao mínimo as doutrinas e o estudo das escrituras sagradas. Para os praticantes do Zen, a palavra escrita é dispensável no caminho da iluminação.

    (Templo Zen)